quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O silêncio vale ouro

(Como a ideia do blog é guardar textos que ainda não tinham ido pro lixo  - mesmo que possam merecer tal destino - vou colocar aqui alguns que já estavam prontos.)


João foi convidado para participar de um programa de TV cujo prêmio pago chegava a R$ 1.000,00 reais. Era sempre alguma regra nova. Todos no auditório sabiam do que se tratava, menos o participante.

No caso do João, ele começava a brincadeira já com os R$ 1.000,00 reais garantidos. A regra (que ele não conhecia) regia que a cada palavra pronunciada por ele, ele perderia R$ 5,00.

Após ser apresentado e se preparar, foi-lhe avisado que o jogo havia começado. Todos esperavam que João perdesse muito pouco do prêmio. Ele era conhecido por ser muito esperto, hábil com as palavras e de grande rapidez de raciocínio.

- Qual é mesmo o seu nome, rapaz? – perguntou o apresentador.

- João.

"Tic-c-c-c-c-c!"

João ficou surpreso ao ver que o valor do prêmio mostrado no painel caiu alguns reais. A platéia riu!

João era esperto e já estava sacando que algo em suas respostas fazia o prêmio cair. Ele conhecia o programa e as pegadinhas que faziam.- Então não é bem responder certo ou errado, mas a forma como respondo. – pensou.

Você é brasileiro, João?

- Sim. Eu sou brasileiro.

Tic-c-c-c-c-c-c-c!

Dessa vez foi descontado um valor ainda maior.

João se ajeitou na cadeira, franziu a testa mirando o painel como se tentasse atravessá-lo e entender o segredo da brincadeira, deu um sorrisinho como quem faz uma ameaça e preparou-se para a próxima.

- Gosta de futebol, João?

João era apaixonado por futebol, mas arriscou: – Odeio futebol.

Não adiantou. Outro tanto foi descontado do prêmio.

João sabia que havia um prejuízo grande sempre que falava! Mas ele precisava descobrir o porquê. Ganhar aquele jogo!!! Afinal, ele era tão inteligente e esperto! Todos o admiravam tanto e seu raciocínio estava bem acima da média! Não podia compreender, tampouco, aceitar aquele revés. E quanto mais perdia mais nervoso ficava, mais ansioso e menos se concentrava, menos raciocinava com clareza.

E assim foi até que o valor do prêmio foi totalmente zerado!

Quando finalmente lhe explicaram a regra ele entendeu que muitas vezes a melhor resposta é calar a boca.

Geovani

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